Saí de casa pelas 21:15 com o estômago saciado e acompanhado por 4 jovens que, como eu, queriam fazer algo diferente naquela noite.

As 21:30 estávamos à frente do metro do Martim Moniz, prontos para enfrentar aquilo que até ao momento achávamos ser uma guerra de “à-vontades”. Será que eles vão levar a mal alguma pergunta? Como é que dou o primeiro passo? E se ficar um silêncio constrangedor? E se alguém se tornar mais agressivo?
Questões que divagavam sem rumo na nossa cabeça como se fossem bolas saltitonas… agravando, a cada passo, o nosso à-vontade. Durante 2 horas por ali andámos, cada vez mais confiantes.
Por volta das 23:40 demos a noite por encerrada e voltámos para os carros. Foi aí que a realidade das ruas me bateu. Estava agora ainda mais aterrado do que quando lá tinha chegado.

É verdade que encontrámos muita gente cujas más decisões da vida os arrastaram para a inevitabilidade das ruas… mas, por incrível que pareça, a grande maioria emigrantes, vivia nas ruas porque a vida só assim o permitiu. Para ser sincero, acredito que muitos olhem para as ruas portuguesas como uma bênção ao lado da fome, guerra e miséria de onde fugiram nos seus países Natal.

Mas o que me continuava mesmo a maravilhar nestes humildes espíritos, era a simplicidade da sua alegria. Aceitavam com gratidão este destino e vivam felizes com o que a vida lhes deu, de certa forma quase a roçar o conformismo.

Perguntava-me, na viagem de carro para casa: Como é que é possível se viver com um sorriso constante na cara sabendo que se está desempregado, longe da família, a dormir no chão e a comer à custa da boa vontade do próximo?

A verdade é que vou fazer deste projeto uma relação simbiótica, de amizade… Quero aprender com eles o truque para esta felicidade simples e espero em troca poder encorajá-los a terem sonhos mais ambiciosos e, quem sabe, a saírem das ruas.

“Não é preciso ter/fazer/ser muito para se ser feliz”- Foi a lição que aprendi nesta primeira visita.
Frederico Barahona